Fernando Pessoa
+ Fernando Pessoa
"Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma."
"Para manter a dignidade do tédio."
"Eu de dia sou nulo, e de noite sou eu"
"Todos temos o patrão Vasques, para uns visível, para outros invisível"
"Os seus olhos a pensar para dentro coisa de fora"
"A Arte que alivia da vida sem aliviar de viver"
"Com a gola de um casaco de empregado do comércio erguida sem estranhezas sobre o pescoço de um poeta, com as botas compradas sempre na mesma casa evitando inconscientemente os charcos da chuva fria"
"Maravilho-me do que consegui não ver"
"Fui, não o actor, mas os gostos dele"
"Porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura"
"Mas amo o Tejo porque há uma cidade grande à beira dele. Gozo o céu porque o vejo de um quarto andar de rua da baixa"
"O aplauso chega ao quarto andar onde moro e colide com a mobilia tosca do meu quarto barato, com o reles que me rodeia, e me amesquinha desde a cozinha ao sonho"
"Quando quero descer na minha alma, fico de repente parado, esquecido, no começo do espiral da escada profunda, vendo pela janela do andar alto o sol que molha de despedida fulva o aglomerado difuso dos telhados"
"Nasci numa aldeia que tem um teatro de ópera ..."
Edifício ABBC inicio Sec XX
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Titulo: Livro "O Devir Eu de Fernando Pessoa" e a ABBC

Na obra “O Devir Eu de Fernando Pessoa”, de José Gil, existem algumas passagens que registam a relação de Bernardo Soares com um quarto no 4º andar do prédio onde se situa a ABBC.
Era neste quarto, do 4º andar, do prédio em frente ao Teatro de São Carlos que Bernardo Soares meditava entre o espaço “obscuro” interior e o espaço exterior que era a vista da sua “janella” .

Algumas passagens:

“...Mas até d’este quarto andar sobre a cidade se pode pensar no infinito. Um infinito com armazéns em baixo, é certo, mas com estrellas ao fim...”
“O Livro do Desassossego elege, entre vários outros pontos de vista, o do quarto que ocupa, na Baixa, o ajudante de guarda-livros; e neste quarto, a «janella» alta ou «altíssima» de onde se debruça.”
“...o fundo do quarto é um espaço negro, obscuro, de que não se fala: é o espaço das costas que o narrador deixa para trás quando se levanta para ir à janela.”
“Do meu quarto andar sobre o infinito, no plausível intimo da tarde que acontece à janella para o começo das estrellas, meus sonhos vão.”
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